Cap. 1 - A Calmaria em meio ao furacão
As coisas com o Eduardo já não eram mais as mesmas. Três anos e meio de casamento, e já no mar do ócio. Eu gostava dele - e por Deus, como me dóia pensar em perdê-lo. Mas eu não via mais o brilho dos olhos dele ao me encarar. E o sorriso aberto dele, há tanto estava perdido. A conversa era para dizer o quanto deu a conta de luz, qual dos nossos amigos perdeu o emprego, vai casar, ou viajar. Vivíamos sozinhos, mesmo morando junto. Eis o motivo de duas televisões, um apartamento com dois banheiros, dois notebooks... Eu assistia o futebol sozinha, e você também. Mesmo sendo o mesmo jogo. Não havia mais refeição nenhuma em comum. Era um tal de 'liga pra pedir pizza, comida chinesa', e cada um ia para o seu inferno particular. Eu não sei, eu queria me distanciar. Me doía ver o quanto havia sido perdido, me doía ver que eu queria ter ele longe - e me confundia ver que eu não queria ter ele longe por muito tempo. Às vezes eu ficava pensando nessas coisas, e me dava vontade de falar, e...