You turn my hole world upside down...

I was thinking 'bout her.
I was thinking 'bout me.
I was thinking 'bout us.
What we gonna be.
I open my eyes and realize that is only just a dream.

Geralmente coloco as músicas no fim do post, como se elas estivessem lá pra completar o texto, fazer a pessoa que está lendo pensar no que acabou de ler. Só que dessa vez é diferente. Vou usar essas quatro frases pra contar uma história. Talvez não uma história. Talvez apenas uma fábula. Só que pensando melhor, não pode ser uma fábula, uma história. Tá mais pra uma estória. Com um final nada feliz. E tudo deveria começar com um 'era uma vez'.

Em um lugar distante, existiam um grupo de velas. Uma vela vermelha, que representava o amor, uma vela branca, que representava a bondade, uma vela roxa, que representava a compaixão e por final, uma vela azul, a vela da esperança. Essas quatro velas ficavam no alto de uma torre, que era cercada por um profundo fosso, que não permitia que ninguém chegasse lá. Essa torre não possuia nenhuma ponte, nenhuma espécie de ligação com o mundo exterior. O que era de se estranhar, já que no interior dela morava um rapaz.
Uma vez por ano, esse rapaz saia de dentro da torre, por um caminho que apenas ele conhecia, e ia para a cidade, buscar provisões e mantimentos, a fim de passar mais um ano dentro da solidão da torre. Toda vez que ele na cidade, acabava por conhecia uma garota, por quem se apaixonava. Era inevitável. Por mais que ele não quisesse, ele acabava se apaioxonando por alguma moça que cruzava pelo seu caminho, e a partir desse momento, não havia nada o que fazer.
Da primeira vez que foi para a cidade, ele se apaixonou como nunca havia acontecido antes. Era uma menina linda, olhos claros como o luar refletindo no mais azul dos mares, cabelos que esvoaçavam ao ventar da mais suave brisa do outono. Ele confiou seus mais profundos segredos a ela, confiou sua vida a ela. E os sentimentos pareciam mútuos. Quando estavam juntos, pareciam que foram feitos um para o outro. Que eram almas gêmeas. Aí então o jovem rapaz levou a moça para a torre. Lá passaram bons momentos, os melhores momentos que o rapaz já vivera. E um dia, sem muitas explicações, a moça saiu da torre. Saiu da torre e se envolveu com outro. Ou com outros, ele preferia nem saber. Doía saber que a vida podia ser tão ruim assim com uma pessoa. E no alto da torre, uma vela se apagava. A vela vermelha.
No ano seguinte, na sua segunda saída, inevitavelmente, ele se apaixonou de novo. Era uma paixão diferente, uma paixão que não envolvia amor, que envolvia sentimentos que ele não sabia controlar. Por não saber como controlar esses sentimentos, nunca foi capaz de dizer o que sentia para a segunda moça. Quer dizer, até conseguir dizer. Mas foi tarde demais. Seus sentimentos de nada valeram. Algo tão bonito, algo tão puro. Por nada. Apenas porque a moça tinha sua cabeça no passado, em outro homem, que nunca a amou de verdade. Nunca sentiu o que o rapaz da torre sentiu. E veio uma segunda decepção. E no alto da torre, outra vela se apagava. A vela branca.
Na terceira saída, o rapaz saiu da torre precavido. Se fechou, se tornou uma pessoa diferente, tudo para evitar uma paixão. Estranhamente, estava funcionando. Ele já havia feito mais da metade de suas compras, e não se encantara por nenhuma moça. Aí então, quase no fim, quase indo embora, aconteceu. Dessa vez, não foi ele quem olhou primeiro para ela. Foi ela quem olhou para ele. Ela que quis que as coisas acontecessem. Já que havia essa diferença em relação às anteriores, o rapaz da torre se sentia mais confiante, mais feliz. Tinha a certeza que, dessa vez, iria dar certo, seria para sempre. Só que nem tudo é perfeito, e nada dura para sempre. E a terceira moça foi embora do mesmo jeito que veio, mas deixou uma ferida aberta no peito do jovem. Uma ferida não conseguia ser fechada, com nada. Depois de tantas decepções, a dor já deveria ser mais branda, deveria ser menor. Mas não. A dor só aumentava. E com isso, no alto da torre, a terceira vela se apagava. A vela de cor roxa.
Só restava uma única vela acesa no alto da torre. E o jovem não fazia a menor idéia disso, afinal de contas, nem ele sabia da existência daquela sala, no ponto mais alto da torre. E chegou o dia da quarta saída, aquela que tinha tudo para ser diferente, já que o rapaz tinha a experiência das outras três vezes, sabia que erros não cometer, que acertos fazer. Tudo estava correndo bem, as moças já não chamavam mais a atenção dele, como se todas tivessem perdido a graça. Até que ele colocou seus olhos em uma em especial. Não conseguia tirar os olhos dela, sabia que dessa vez, seria ela a escolhida. E de fato ela era. Existiam muitas semelhanças entre eles. Mais do que haviam entre ele e a primeira. Eles se completavam, como se fossem lados opostos de uma mesma moeda, como se fossem sol e a lua, que brilhavam e se ofuscavam na mesma medida. O problema era que essa moça não era dali, estava apenas de passagem na cidade, e o pior, morava longe dali. Fidelidade não era algo que eles prometeram um ao outro, mas era algo que ele cumpria, por mais complicado que fosse. Só que o mesmo não aconteceu da outra parte. Era seu aniversário, e ele recebeu a notícia de que ela, que nunca fora sua de verdade, era de outro. Nenhuma decepção havia sido tão profunda quanto essa. Nenhuma dor tinha sido tão grande quanto essa. E, ao fim do dia, a última vez se apaga. E vela azul, a vela da esperança.


She don't lie, she don't lie...
cocaine.

E no final de contas acabou sendo uma história. Longa demais. Talvez até profunda demais. Mas é só uma história. Qualquer semelhança com a vida real é uma enorme e infeliz coincidência.
E no final de contas², acabou que tudo não passou de um sonho. E como todos os outros, eu já sabia como seria o final.

It's something unpredictable, but in the end it's right
I hope you had the time of your life.

É, acho que chega por hoje.

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