If you choose not to decide you still have made a choice

"A maior barreira para o sucesso é o medo do fracasso."
Minha sorte de hoje no orkut. Uma das poucas verdades, um dos poucos acertos, que o orkut trouxe nesses anos todos de existência. Por mais impessoal que pareça, por mais impessoal que seja, essa frase me afetou. Não passa de uma grande verdade, uma enorme verdade, que se torna uma certeza tendo em mente tudo que já se passou na minha vida.

Nunca fui uma pessoa corajosa. Nunca tive audácia suficiente pra ousar, pra inovar. Sempre preferia ir com a maré, era mais fácil, era mais seguro. Fiz isso por tanto tempo que acabei me acostumando com a coisa, que acabei achando normal. Minhas opiniões nunca eram minhas, nunca eram só minhas, sempre me baseava no que alguém falava, e pra mim, tava bem bom desse jeito. Não tinha vontade de mudar, de fazer coisas novas, de tomar atitudes, porque tinha medo das mudanças que elas podiam acarretar. Mas de uns tempos pra cá, acabei percebendo que não tinha vivido minha vida. Que tinha perdido muitas oportunidades de ser feliz, de ser alguém. Obviamente, tenho muita vontade de mudar isso. Acho que no fundo, até já mudei um pouco. Já me basta a quase depressão, já me basta o déficit de atenção, não preciso de mais problemas.

O solo de Layla toca nos meus fones, o auge da música se aproxima, chega, e passa, e eu continuo escrevendo. Layla tem um efeito estranho em mim. Uma canção que representa o amor, o mais estúpido e doloroso amor, me deixa criativo. O fato de só ter tido amores estúpidos e dolorosos na minha vida talvez possa colaborar, mas ainda acho estranho o efeito. A parte do piano começa, entra a bateria, entra Clapton fazendo a guitarra, e não só ela, chorar. Fecho os olhos e começo a pensar na vida. Não tenho muitas lembranças. Basicamente, antes dos 15 eu não tinha uma vida. As coisas relevantes começaram a acontecer dali em diante. Passei quase dois anos sofrendo por uma guria que nunca me amou, passei alguns meses sofrendo por uma que amou/ama/amará outro, passei um ano dividido entre uma que não me queria e outra que talvez me quisesse, mas não tive coragem suficiente de tentar algo, não tive calma suficiente pra saber como agir naquela situação. Passei algumas semanas, e ainda passo, tentando acabar com um namoro que já existia antes de mim, e vai continuar existindo depois de mim. Ainda consegui me decepcionar e sofrer por uma coisa que já era previsível desde o começo. Tocam os acordes finais de Layla, começa a tocar a orquestra sinfônica de São Francisco, puxando No Leaf Clover. É realmente estranho que só músicas tristes, só músicas que acabariam com a moral de qualquer pessoa normal, me 'tornem' criativo. Mas é assim que funciono, é assim que vou. No Leaf Clover acaba, fico dividido entre Fall To Pieces e Eminence Front. Vou caindo aos pedaços, aos poucos, mas ainda tenho tempo pra ficar espantado com as pessoas, que esquecem do brilho do sol.


You can choose a ready guide
In some celestial voice
If you choose not to decide
You still have made a choice

You can choose from phantom fears
And kindness that can kill
I will choose a path that's clear
I will choose free will


Acho que por hoje, chega.

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