O imutável.

Não gosto de passar muito tempo sem escrever. Acho que preciso colocar pra fora o que sinto, em períodos curtos e regulares, a fim de que consiga me manter 'saudável'. Fiquei mais de um mês sem aparecer por aqui, só acumulando idéias, só juntando poeira na parte criativa do meu cérebro. Volta e meia tentava escrever algo, mas não saía, não funcionava. Acho que eu tava me sentindo feliz demais, me sentindo de bem com a vida demais. Fazendo um curso que eu gosto, conhecendo pessoas novas, tentando ser feliz. Não deu certo, não quis mais. Não sei mais como é ser feliz e tenho a impressão de que nem quero ser feliz. Desse jeito tá tri bom. Vou deixar a inércia me levar, porque ela é minha pastora e nada me faltará.


Sempre achei que as pessoas eram responsáveis por quem cativavam. Acreditei tanto nisso que até já falei isso pra alguém. Só que eu nunca tinha sido responsável por alguém, sempre era o cativado. Era mais fácil, era muito mais fácil ser apenas aquele que gostava. Mas aí acabei do outro lado da moeda, acabei sendo o 'cativador'. Mesmo sendo esse ser cheio de problemas, de neuras e dramas, cativei alguém. Acho que ela acabou gostando de mim por algo que eu fui no começo, acho que ela se apaixonou por alguém que nunca existiu. E por gostar de mim, ela quis me mudar, quis me fazer uma pessoa diferente, uma pessoa melhor. No começo, achei uma idéia genial. Achei que eu tava precisando mesmo ser alguém diferente, uma boa pessoa, pra resumo da obra. Tentei me abrir, tentei abrir os cadeados que trancam meu coração, que trancam minha vida. Só que acabei percebendo, talvez tarde ou talvez cedo demais, que não sabia onde estavam todas as chaves. Perdi algumas pelo caminho, escondi algumas em lugares que não quero mais voltar. Aí acabei percendo que não tava pronto pra isso, que não tava pronto pra ter alguém do meu lado, querendo conhecer tudo que tem dentro de mim, querendo me mudar. Se fosse gostar de mim, que gostasse do jeito que eu sou. E tem horas que eu acho que ninguém gosta de mim desse jeito que eu sou.

You don't relate to me, no girl.
you don't respect me, no girl.

E eu não me relaciono com ninguém. Nem respeito ninguém.

Comentários

rafaela ivo, disse…
Que saudade eu tava de comentar nesse blog. Bom que tu botou pra fora isso tudo que tu tava sentindo (well, this is just the tip of the iceberg). De um jeito bom ou ruim, essa pessoa marcou pra ti: só pessoas que marcam merecem um post exclusivo nesse teu diário de depressão. Vi que os textos vão mudar de foco, e pessoas perderam o falso posto de garota principal. Vamos ver quais contos estranhos Rafael há de contar agora. E te aviso logo: esse teu template tá com os dias contados, enjoei dele. Daqui a uns dias, vamos mudar. Beijão, e eu te amo.
Dands disse…
Eu estava muito relutante em ler o que tu andava escrevendo, porém como uma menina impulsiva acabei vindo parar aqui. Li e gostei dos teus dois últimos posts. Por que gostei? Bom, Essa menina do teu texto estava muito apegada à ilusão de onda de sorte com "caras", apegada à idéia que tu queria ser feliz, a carência ajudou e com isso era difícil perceber o que estava na frente dela, nao queria ver, na verdade. Como um pássaro que voa muito alto sem se preocupar com o tombo e acaba caindo ela se machucou (como tu tinha alertado). Por mais incrível que pareça não doeu tanto quanto ela imaginava que fosse doer, ela percebeu que a dor maior estava ao lado, ao teu lado! E tu de algum modo a ajudou percer isso, expulsando ela da tua vida e lendo os posts se entristeceu com uma coisa: a tua falta de vontade de ser feliz, ao contrário dela que está mais empolgada do que nunca. O que eu posso dizer com essa história toda? Isso não é novela, meu caro, nem sempre tudo acaba bem. Mas ainda assim ela te deseja felicidade e até algum dia, Rafa, quem sabe...

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