Just a little unwell

Não sei começar um texto. Nunca sei por qual parte do prato começar a comer a comida. Não sei qual dos milhares de livros que tenho disponível devo ler. Não sei começar nada, não sirvo pra começar nada. Tenho medo de começar alguma coisa. Tenho medo de começar a chorar e nunca mais parar. Tenho medo de voltar a ter sentimentos, porque tenho certeza de que eles vão me fazer vulneráveis de novo. Tenho muito medo de amar. Tenho mais medo ainda de ouvir um não. Tenho medo de ousar, consequentemente tenho um medo absurdo de ser feliz.

Tenho medo de achar que ninguém vai gostar de mim quando, e se, souberem o que realmente sou. Morro de medo de viver na solidão, embora viver sozinho seja tudo aquilo que eu esteja buscando. Me decepciono com quase todas as pessoas do universo, mas no fundo talvez seja apenas eu me decepcionando comigo mesmo. Busco chamar a atenção porque sou absurdamente carente. Não é aquela carência física, aquela carência perigosa que afeta as pessoas 'normais', é aquela carência por afeto, por carinho. É basicamente uma necessidade de ser amado.

Comecei sem saber como ia começar e termino sem saber como terminar. Minha vida é meio assim. Estranha demais pra convidar alguém pra fazer parte dela. Parada demais pra ser divertida. Fingida demais pra ser de verdade. Irônica demais pra ser levada a sério. No resumo, nem é uma vida boa. Mas é uma vida, e isso importa pra alguns.

Comentários

Thaís Ribeiro disse…
Olá,

Sou escritora amadora e mantenho um blog - "Contos nojentos". Indiquei o seu blog para a "Campanha de incentivo à leitura", ficaria demasiado contente se você participasse.

http://contosnojentos.blogspot.com.br/2013/04/campanha-de-incentivo-leitura.html

Atenciosamente.

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