Dazed and Confused
Estive atordoado e confuso por muito tempo, e só agora comecei a me livrar daquele torpor que tomava conta do meu corpo. Passei tempo demais acreditando que isso não daria certo, que nada daria certo. Sempre achei que ia morrer dentro de uma máscara que eu me mesmo tinha criado. Toda uma falta de sentimentos que não era real tomava conta da minha vida. É meio impossível viver sem sentimentos, sabe-se disso. É conhecimento popular. Podia não ter todos os sentimentos, mas pelo menos tinha alguns. Não sabia o que era amor. Sabe aquele negócio que as pessoas sentem e dizem que completa o dia, e a vida, delas? Aquela coisa que faz teu coração bater mais rápido só de se imaginar perto de alguém? Isso eu não tinha. E não sei se tenho, depois de tanto tempo. Não lembro como é sentir amor, sabe? Sei que ele ainda não aconteceu.
Outros sentimentos que as pessoas costumam sentir. Os bons, tipo alegria, empatia, felicidade. Não eram muito presentes na minha vida. Não faziam parte do meu cotidiano. Eu via os outros sendo felizes, via os outros sendo alegres e de vez em quando, até conseguia sacar o motivo de alguém estar mal. Mas, pensando agora enquanto escrevo, não consigo pensar em nenhum outro sentimento bom. Só aqueles ruins aparecem na minha cabeça. Cobiça, raiva, inveja, tristeza, amargura, depressão. Talvez esse último não fosse um sentimento, mas era, certamente, uma constante na vida. Então, deve contar.Quanto aos outros, é, parece pior do que eu pensei que seria. Não sou de montar textos na minha cabeça antes de escrever, hiperatividade agindo, mas se eu tivesse feito isso dessa vez, certamente não teria sido dessa forma e com tantas coisas ruins. Imagina só, cobiça e inveja. Não são exatamente características minhas, longe disso, mas são coisas que lembrei. Talvez sejam lembranças dos sete pecados e talz. Mas a raiva... Essa era absurdamente presente na minha vida. Passava dias me segurando pra não xingar ninguém, pra não bater em ninguém, em certos casos. Mas, não citada anteriormente, talvez a palavra do momento seja decepção.
Não decepção com a vida que levo ou levava. Nem sei te existem motivos pra reclamar de algo. Mas posso reclamar de mim. Devo, inclusive, reclamar de mim, das coisas que eu faço ou deixava de fazer. Passar anos e anos me afastando das outras pessoas porque buscava fingir que não me importava com nada nem ninguém foi um dos maiores erros que já cometi. Eu me importava com as pessoas. Da minha forma, mas me importava. Talvez não desse a atenção que elas precisavam, mas era alguma coisa. Pra mim, era bastante coisa. Pensando nas coisas do passado, não tentando reviver ou refazer alguma coisa, mas sim olhando como se fosse um observador distante que só percebe como as coisas funcionavam e aconteciam, dá pra chegar na conclusão de que não posso errar mais. Os erros que cometi foram superados, em sua maioria e ficaram no lugar que merecem, lá atrás. Agora é a hora de acertar de vez, de fazer tudo certo. Já não ando mais sozinho nessa trilha da vida, e não pretendo andar de novo por um longo tempo.
No momento no qual tu percebe que tá se importando com alguém, de verdade, tua vida meio que muda de perspectiva. É como se tu deixasse de viver em função de ti, e começasse a ver que tudo tem dois lados, que todas as ações tem consequências.
E deve ser a primeira vez em MUITO tempo, tipo, muito tempo mesmo, em que consigo escrever algo que seja no mínimo aceitável quando estou feliz. Quase nunca ficava feliz, e nas raras vezes que ficava, não rolava escrever nada. Mas agora, que a felicidade é uma constante, as coisas vão mudar. Meio que precisam mudar.
Been dazed and confused for so long it's not true
Wanted a woman, never bargained for you
Lots of people talking, few of them know
Soul of a woman was created below
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