Negando o seu troféu

Essa coisa toda de gostar de alguém não é legal. Quer dizer, até é. Os momentos que tu passa com a pessoa, os momentos que tu compartilha e divide coisas, a coisa de sentir saudade, de querer estar junto a qualquer momento do dia, isso é demais. Isso em parte é o que faz a vida valer a pena, que faz querer sair da cama pra ver o mundo acontecendo ao teu redor. Que te faz ter a sensação de que tudo tá no seu lugar, de que tudo tá finalmente certo e que sempre deveria ter sido assim. Que te faz ver o mundo de uma maneira diferente, como se tu tivesse passado os últimos tempos cercado de névoa e depois surge o sol, brilhante e amarelo, lá ao longe e viesse pra clarear tudo. Mas o outro lado da moeda, a coisa de não estar perto, a coisa de sentir ciúme, a coisa de sentir medo de perder a pessoa, isso não é legal. Isso é ruim. Isso, até certo ponto, faz mal. Viver com medo não é viver, alguns diriam, inclusive.
Só que penso que só dá pra sentir medo de perder algo quando tu se importa realmente com essa coisa. Mesmo sabendo que, em certo ponto, tu não vai perder esse algo, o temor tá lá, rondando feito aquele mosquito que fica voando perto dos teus ouvidos quando tu tá querendo dormir, no meio da madrugada. E tu não consegue matar o mosquito, só consegue espantar e no dia seguinte, lá tá ele, te atrapalhando na hora de dormir.

Nunca fui um cara desses arroubos sentimentais, por nunca terem dado certo em algum momento na minha vida. Sabotei a maioria deles, mesmo sem perceber, mas de qualquer forma, pra todos os fins, eles não deram certo. E daí surge o pessimismo, te fazendo achar que tudo vai ser igual, que tudo vai se repetir. E aparentemente, o pessimismo é um dementador que se alimenta de todas as memórias boas e só deixa as memórias ruins, as tristes. Ao contrário do que diz a querida Rowling, o que resta depois do beijo não é uma casca vazia, é alguma coisa cheia de recordações ruins e traumas, que anda por aí procurando lembrar de coisas que nem sabia que tinham acontecido, enquanto se alimenta de felicidades alheias, pra ver se algo de bom acontece com ele. Um pessimista que se deixa levar acaba se tornando uma alma vingativa, que só busca passar a frente tudo aquilo que foi feito com ele em algum momento da vida. E isso tudo vira rancor. E rancor é uma coisa idiota, é tomar veneno esperando que a outra pessoa morra. E quem perde nisso tudo é tu, só e somente.



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