It's all downhill from here
Eventualmente rola aquela sensação de que sempre precisa tá gostando de alguém, que só assim tua vida vai ser completa. Muita gente diz isso. Muita gente acredita piamente nisso. Tô num momento no qual não sei mais no que acreditar. Fico fingindo que sou forte, fico fingindo que aguento tudo que a vida me joga, fico fingindo que sou sempre feliz e sorridente, e que tá tudo legal na minha vida. Mas não tá, não tá nem perto de tá.
Tô prestes a perder um dos pilares da minha vida, tô só num gigantesco looping de negação, de que o momento final e derradeiro nunca vai chegar. Em certas horas acho que já seria melhor lidar com o processo do luto de uma vez só, já ir se preparando pro pior de uma vez. Mas não consigo. Não tá rolando pular a tristeza, pular a ausência que a pessoa vai fazer na minha vida. Não tá sendo possível imaginar uma vida sem essa vida na minha vida.
Por outro lado, a coisa de perder nunca anda sozinha. O desespero adora andar acompanhado e sempre leva os piores amigos do mundo. É aquele cara que tua mãe sempre disse pra tu não andar junto no colégio, mas eventualmente tu acaba andando e quando dava problema, era tu quem sofria por isso. De qualquer forma, tô querendo arranjar formas de te odiar, de nunca te perdoar, de te tirar da minha vida. Porém não consigo. Falho até nisso. Não quero te odiar, não te quero fora da minha vida, não tenho porque te perdoar, porque nem sei se tu tem alguma culpa pra ser que eu te absolva. É aquela coisa de como alguém pode se perder se não tem nenhum lugar pra ir? Eu deveria saber como isso tudo ia terminar, e eu já sabia, eu via os indícios, lidava com todas as provas dia a dia, uma após a outra, jogadas na minha cara. Daí, eu fico me culpando. Voltando a todos os traumas que ainda não superei, de ser rejeitado por falha minha. E fica um looping eterno de culpar duas pessoas que não tem culpa nenhuma da incompatibilidade que infelizmente existe. Ficar contigo machuca. Não ficar contigo machuca mais ainda. Mas não dá pra viver a vida toda com dor. Há quem diga que o cérebro interpreta rejeição como interpretaria uma dor. E tá doendo agora. Demais.
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