But your blade might be too sharp

De uns tempos pra cá, busquei acreditar que eu não sentia nada por ninguém, que a própria existência das pessoas não afetava em nada o meu dia. E na maior parte dos casos, isso até é verdade, não sou dos mais sentimentais e não demonstro afeto por muita gente mesmo. O problema é que, volta e meia, gosto de alguém. E tudo aquilo que não sinto pelo resto do mundo é canalizado pra esse alguém e eu me torno uma coisa que não gosto. Por gostar de alguém, por gostar tanto assim de alguém, eu me torno vulnerável, absolutamente aberto e desprotegido pra tudo que possa acontecer. E não sei lidar com isso, de jeito nenhum.

Relaciono o ato de gostar de alguém com coisas ruins porque  é assim que vejo as coisas, é desse jeito que a vida me fez crer. Talvez por gostar das pessoas erradas, talvez por gostar do jeito errado, virei uma pessoa traumatizada que tem medo de gostar de alguém, exatamente por sempre sofrer. Não acho que gostar de alguém seja algo que envolva sofrimento, não deveria envolver pelo menos, aí todo o processo sentimental me faz mal, vai me minando aos poucos, por eu não aceitar o sofrimento. Fico acreditando que sou forte demais, que vou aguentar tudo que a vida pode jogar em mim, mas ao menor sinal de problema, eu me afasto, eu me fecho, porque tenho medo de me magoar de novo. E é bem provável que isso me impeça de ter várias coisas boas com várias pessoas, que essa escuridão que existe dentro de mim não deixa eu ver a luz em nenhum momento, pois nada cresce na escuridão, a vida precisa de luz pra acontecer. Se trocar 'a vida' por 'o amor' acho o efeito permanece o mesmo, e nem acho que só existe vida com amor. Ou talvez sejam só os meus medos não deixando eu ver nada tão claramente.



Mas é algo que dava pra ter visto nos teus olhos, por mais apaixonados que eles estivessem, que algo de ruim iria acontecer, que algum perigo eu iria enfrentar. E a gente enfrentou perigos noite após noite, mesmo que eu não percebesse que eram perigosos, e mesmo que tu sempre estivesse buscando por algum tipo de absolvição, buscando que a vida ou as pessoas perdoassem tudo aquilo que tu tava fazendo, pra conseguir fechar os olhos em paz quando fosse dormir. Mas ainda assim, não é tua culpa, tu não tem culpa nenhuma na situação, eu assumo a culpa toda, deveria ter levado teus sentimentos em conta quando comecei isso tudo, quando mantive isso tudo, quando tenho a certeza de que não quero acabar isso agora, ou tão cedo. Nessas horas me sinto absurdamente egoísta, ignorando tudo o que os outros sentem, focando em ti, em querer tá contigo, e deveria me sentir mal por isso, mas não consigo. Existem coisas que a ciência não explica, existem coisas que nem a matemática quantifica, e nos momentos em que 5+5 dá 11, não tem muito o que fazer, só resta aceitar e ver onde isso tudo vai dar.
Tenho uma pele resistente a isso tudo que a vida pode fazer, meu coração já é de borracha quase, levando em conta tudo o que a vida já fez, mas ainda assim tu achou um jeito de romper minhas defesas, de atravessar minha pele e de rasgar meu coração. E não sei se isso é ruim, não sei se isso é bom, na real, não sei nada, basicamente. Sentimentos fortes assim não merecem ficar trancados dentro de dois corações distantes, e certamente não devem ser compartilhados com outros corações que não sentem a mesma coisa. Preencher o vazio só dá certo até um ponto, porque chega uma hora que tudo remete à pessoa, que a saudade chega a machucar, e não há mais o que ser feito.

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